― Outro dia, num desses quiosques de café do aeroporto, conheci uma cinqüentona mineira de pernas muito grossas e aparelho nos dentes que morava em Milão até bem recente. Cabra macho, se apresentou como investidora de imóveis. Sustentou o marido italiano por quase uma década ― cuidava da casa, mimava os filhos e ainda tocava, 14 horas por dia, a empresa do sem-vergonha. Já faz um tempo se danou, separou e agora quer sair porque na Europa a situação está muito complicada. Sobre os europeus endinheirados no Brasil, diz que das duas uma: ou são muito ricos ou não passam de patifes salafrários. O ex-marido faliu. Apesar de tudo, devia ser honesto o coitado. Agora quer voltar pra Divinópolis, porque Minas é o único lugar neste país onde as pessoas têm tradição.
― Olhos claros?
― Sim.
― A palavra "patife"... ela disse literalmente?
― Não.
― Um minutinho, senhor... pronto, aqui está a ficha. São 3 reais e cinqüenta, pode pagar no caixa.
(Dedicado a uma senhora brasileira em Florença. Olhos claros.)
29.9.06
Assinar:
Postar comentários (Atom)






1 comentários:
O título é fundamental!
Postar um comentário