Como fazia todos as tardes, parou na padaria e deu uma moeda para a moça magrinha sentada atrás do balcão. Esta, sem sair da cadeira, pegou um cigarro, duas ou três moedas na gaveta da caixa registradora e terminou a venda. Seguiu caminho com o cigarro imprensado no bolso. Mal chegou na esquina, deu meia-volta.
― Desculpe, é que me acostumei a ver suas pernas sempre que venho por aqui. Você se incomodaria de levantar só um pouco, por favor?
Apesar de encabulada, não teve coragem de recusar o gentil pedido da jovem. Levantou-se da cadeira, revelando um par de coxas muito grossas metido numa calça jeans. Com o isqueiro azul que ficava amarrado num prego sobre o balcão, a outra acendeu o cigarro e deu uma tragada profunda, como fazia todos as tardes.
24.11.06
Assinar:
Postar comentários (Atom)






0 comentários:
Postar um comentário