Sem motivo, a porta que dava para o banheiro amanhecera de ponta-cabeça. Acima da maçaneta ― que agora ficava à esquerda ―, em lugar da simpática interrogação havia um buraco de fechadura invertido, que mais parecia um ponto de exclamação. O momento era solene. Bem diante de seus olhos, quiçá pela primeira vez, numa simples intervenção o universo quebrava suas inquebráveis regras.
Desconfiado do acaso, não ousou abrir a porta. Do lado de lá esperava absolutamente tudo, menos um vaso sanitário. Seu sentido de liberdade se esvaía junto com as leis. A antiga disciplina da natureza agora lhe parecia um benevolente estado de distração. O universo resolvera, então, ameaçá-lo com ações deliberadas. Tomou como declaração de guerra: o monstro autista estava acordado.
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