12.3.07

Transtorno de Despersonalização
(DSM-IV: 300.6)

O silêncio então, num suspiro, impregnou seus sentidos. O corpo, assim preenchido, trabalhava com cerimônia, sem mais o despojamento da solidão. Apanhou um pequeno objeto no peitoril e deu dois passos lentos para trás, o olhar perdido na delicadeza meticulosa dos movimentos de sua mão. Escorregou numa conta de telefone, esbarrou ― sabe-se lá ― numa cadeira e despencou uma queda espetacular. Por muito pouco o silêncio não lhe sai pelos poros. Deitada no piso de taco entrelaçado em dois tons, sorria, em parte encantada pela trivialidade daquele incidente. Como se tudo transbordasse significado, sorria também de pudor diante dos olhares no porta-retrato, ainda firme em sua mão direita.

2 comentários:

Naomi Conte disse...

muito sensível, gostei pra caramba... um dos melhores!até, diria eu, parece escrita de mulher... beijo!

Anônimo disse...

visite http://dissociacao.informe.com/ eh um forum dedicado a despersonalização